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2003
Web Arte
 
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NÓISGRANDE
Revolátil
ONOS

 

Em 2003, foi produzido o site Retardo nº. 2 ou Delay nº. 2, que considero um dos trabalhos de minha produção mais emblemáticos, até esse momento, a respeito de uma condição contemporânea latente. Ao mesmo tempo, é um dos mais esquizofrênicos e menos difundidos: foi recusado em todos os eventos de arte e tecnologia a que fora submetido. O que talvez tenha colaborado para isso foi sua simplicidade técnica: nada mais era do que um geométrico indicador de download, produzido no difundido Macromedia Flash, que se desenrolava ao decorrer de quase sete minutos tendo ao fundo uma música do Dead Can Dance . Ao final do “download”, a tela que aos poucos se escurece, permanecendo completamente escura, apenas com uma indicação de saída da tela cheia. Nada mais. É claro que estando no contexto da rede Internet, a leitura primeira seria a que me empenhei em pregar uma peça naqueles que pacientemente acompanhariam o decorrer de cada minuto, na possibilidade que dali algo significativo surgiria. É possível. Ou pior ainda: que realmente alguma coisa ali era para ser carregada ao final da animação e por algum erro não foi (como fora a mim questionado certa vez, por organizadores de um evento de arte eletrônica). Suposições a parte, o que pensei foi inverter um significativo indicador de fluxo por um estado de suspensão e não-informação. Esse novo estado iria se contrapor a um modo de vida que implica numa estética da saturação permanente, do fluxo informacional.  Se tivermos a Web como elemento circunstanciado desta condição, nada mais próprio do que nele mesmo criar esta situação avessa, buscando novas sensibilidades. Seria isso possível?

Por outro lado, assim como grande parte das experimentações artísticas que questionam o meio em que existem, pretende-se estabelecer um espaço de reflexão sobre as práticas comuns, exacerbadas pela experiência de relação com o digital. Existe a princípio, o estabelecimento de um mínimo necessário de repertório comum, trazendo a familiaridade dos softwares e seus padrões de procedimentos como o download de arquivos, a instalação de programas e – em contraste com a velocidade cultivada pela sociedade de informação – a espera pelo carregamento de dados. Ao destituir funções e adotar outras temporalidades de leitura, o antes usuário – agora, espectador – terá um espaço de reflexão ao universo em que está inserido, a espera e sua passiva aceitação.

Delay n.2

Na tentativa de alcançar uma nova temporalidade, foi instituído este trabalho – intenção que foi continuada por Revolátil (este, produzido em 2006 e presente na Revista Digital NÓISGRANDE). Retardo nº.2  ou Delay nº. 2 pode ser visto em: http://www.fabiofon.com/delay .

Fábio Oliveira Nunes.