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Um olhar sobre os clip-poemas de Augusto de Campos

10 julho 2013 | poesia digital, textos, Web | Comentários desativados em Um olhar sobre os clip-poemas de Augusto de Campos

Ensaio publicado no site CRONÓPIOS, em  10/07/2013.

Fabio FON

Uma das maiores contribuições da Poesia Concreta para a produção artística brasileira foi, sem dúvida, seu projeto verbivocovisual, conforme trazido no Plano Piloto da Poesia Concreta, de 1958, assinado por Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos. Uma perspicaz fusão de interesses sobre a palavra, entendendo que esta não é só sua carga semântica, mas também forma visual e formação sonora. Diriam: “o olhoouvido ouVÊ”. A constatação dos concretos acerca da palavra, não só nos atenta para novos domínios da poesia como também a uma fusão dos sentidos humanos, visão, fala, audição – e por extensão, tato – em torno de um projeto fundamentalmente intersemiótico. Nos atenta também a uma contaminação mútua dos sentidos e das linguagens artísticas inerentes a cada um deles.
As propostas da poesia concreta presumem uma convergência de linguagens que viria a ser possível nos meios digitais, sobretudo a partir da popularização da computação pessoal a partir dos anos 90. Hoje, tudo que é produzido digitalmente já é potencialmente híbrido – poucas ações separam as linguagens uma das outras: poema impresso que vira animação, que se traduz em um ambiente virtual, que vira um objeto físico produzido por impressão 3D, por exemplo. O que está em questão ao produzir faturas poético-digitais é a capacidade de agenciar os domínios poéticos em um universo que não possui limites. O que é ou não poesia por aqui? Ou simplesmente como se distanciar do óbvio? Estes são pontos importantes a serem pensados.
Bem, das três figuras-chave do movimento da Poesia Concreta no Brasil, Augusto de Campos foi sempre o mais próximo das possibilidades tecnológicas para a poesia. Sua aproximação ao universo digital é visível em grande parte de sua produção a partir dos anos 90. Sendo uma das vértebras da poesia concreta brasileira, junto com Décio e seu irmão Haroldo, realizando as históricas revistas Noigandres e Invenção, desde muito jovem já realizava uma metalinguagem rica – difícil de ser alcançada por quem se desdobra no exercício do pensar e do fazer. Suas produções bastante conhecidas, como Luxo, de 1965, são partes vivas de um dos momentos mais inventivos da cultura brasileira. Além disso, posicionou-se em torno da idéia da tradução da poesia enquanto um exercício de criação, tendo traduzido Mallarmé, Dante, Cummings, Maiakóvski, Rimbaud e tantos outros. Realizou também obras que tiveram fundamental importância para as artes gráficas e suas relações com a poesia no Brasil como Poemóbiles, Caixa Preta e ReDuchamp, produzidas conjuntamente com o artista e teórico Julio Plaza.

CONTINUA

 

 

Poesia visual na Galeria Virgilio, em SP

10 abril 2012 | eventos | Comentários desativados em Poesia visual na Galeria Virgilio, em SP

Do site da Galeria Virgilio: www.galeriavirgilio.com.br .

A Galeria Virgilio inaugura no dia 10 de abril, terça-feira, a coletiva POESIA, organizada por Omar Khouri e Paulo Miranda. A mostra reúne cerca de 50 trabalhos, entre serigrafias, monotipias, graffiti e pintura, que se inserem no universo do cruzamento de linguagens que tem caracterizado a poesia de base experimental nas quatro últimas décadas, abarcando poemas inéditos e alguns já considerados históricos, de pelo menos três gerações de poetas.

Os poemas adentram a Galeria, reivindicando o que têm em comum com as chamadas Artes Visuais e vão do objeto único a pequenas tiragens. Poetas participantes: André Vallias, Arnaldo Antunes, Augusto de Campos, Décio Pignatari, Gastão Debreix, Gil Jorge, João Bandeira, Júlio Mendonça, Julio Plaza, Lenora de Barros, Omar Khouri, Paulo Miranda, Ronaldo Azeredo, Sonia Fontanezi, Tadeu Jungle, Villari Herrmann, Walter Silveira e Zéluiz Valero.

“Trata-se de uma exposição de poesia visual, ou intersemiótica, como era denominado esse tipo de produção nos anos 1970, quando circulava em revistas alternativas”, declara Khouri.

Evento: Poesia, exposição coletiva de poesia visual
Abertura: 10 de abril, terça-feira, a partir das 19 horas
Período expositivo: de 11 de abril a 5 de maio de 2012
Não abre aos domingos.

Mais informações em: http://www.galeriavirgilio.com.br .

 

 

 

Nanopoema: a escritura de um microcosmo

17 maio 2009 | arte ciência, Cronópios, Mixórdia | 2 Comentários

 

No dia 03 de março de 2009, a poesia brasileira ganhou uma nova dimensão: a microscópica! É claro que não se trata de qualquer medida de valores estéticos, mas sim, medidas reais: nesta data, o poeta e compositor Juli Manzi (pseudônimo do pesquisador Giuliano Tosin) realizou o primeiro nanopoema do Brasil, juntamente com uma equipe de pesquisadores em nanotecnologia. O mais diminuto de todos os poemas, inserido em uma outra dimensão do mundo: as medidas do poema são da ordem de 35 X 440 nanômetros (nm) – quatro mil vezes mais fino que um fio de cabelo. Um nanômetro vale 1,0×10−9 metros – ou um milionésimo de milímetro, ou bilionésimo de metro. Tem como símbolo nm.

A façanha de Manzi se insere no percurso da apropriação de meios científicos e tecnológicos para a produção poética, algo que já é conhecido a algum tempo na produção nacional com o uso de xerox, televisão, fax, animação, computação gráfica, redes, lasers para projeções e outros tantos processos. Muitas destas práticas foram incentivadas pelo pioneiro artista Julio Plaza, um desbravador na produção de holografias e na atuação poética em redes telemáticas – o Videotexto em especial. Plaza, espanhol radicado no Brasil falecido em 2003, representou o ponto de partida de muitos artistas a discutir questões de interatividade, as novas práticas em redes computacionais como a Internet, as possibilidades da hipermídia. Realizou inúmeras versões visuais e/ou digitais de poemas de outros autores, sistematizando uma tradução fundamentalmente criativa entre meios. Plaza é um dos referenciais de Manzi – junto com Augusto de Campos, Roman Jakobson, Haroldo de Campos e outros autores – em sua pesquisa de doutorado na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), intitulada como “Transcriações: reinventando poemas em meios eletrônicos”.

Neste contexto, o Nanopoema de Manzi nasce da tentativa de reinventar poemas em mídias não-usuais ou diferenciadas. Em um diálogo com seu irmão, Giancarlo Tosin, físico do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), o poeta chega à nanotecnologia como possibilidade de suporte capaz de carregar informação sensível, já que a nanoescrita (nanowriting) é uma ação perfeitamente executável. Experimentos similares em poesia já foram realizados, por exemplo, na Cardiff Univesity, no Reino Unido, em 2007.

Assim, na busca pela transcriação, Manzi opta pelo trabalho com um poema-escultura do multifacetado Arnaldo Antunes, “Infinitozinho”. Originalmente, em sua versão de 2003, o poema de Antunes é uma seqüência de letras organizadas em verticalidade formando o sui generis termo em 6 metros de altura. Carinhosa conivência entre o incomensurável e o minúsculo.

Bem, neste nanomundo, este “Infinitozinho” se reinventa e extrapola suas proporções originais: mais do que sentidos que nos transporta, dá a visão ao próprio mundo em que se insere, como um coeso inventário de um mundo de horizontes em potência. É inevitável pensar no cenário atualmente ainda incipiente da nanotecnologia, mas onde se antevê nanorobôs e inúmeros outros sistemas e seres microscópicos artificiais que significativamente podem nos conduzir para uma revolução tão grandiosa quanto a digital. Espera-se que a nanotecnologia esteja dentro de nós – enquanto microseres que auxiliem nossos leucócitos ou que monitorem a fluidez do tráfego sanguíneo, ou ainda, no interior de microchips que venham a ampliar nossa memória. Estará também em dispositivos – computadores, telefones – cada vez mais diminutos. É fundamental dizer que uma condução sensível como esta, neste universo pouco explorado, representa uma demarcação importante para futuras investigações artísticas.

No Laboratório de Microscopia Eletrônica (LME) do LNLS, em Campinas, o poema foi realizado em um nanofio de Fosfeto de Índio, que foi bombardeado por um feixe de elétrons, furando o minúsculo fio e construindo a palavra de trás para frente no decorrer de cinco horas. Os pesquisadores em nanotecnologia, Daniel Ugarte e Luiz Henrique Tizei colaboraram com o poeta na realização deste feito. Agora, com o primeiro poema do gênero em língua portuguesa, Manzi pretende fazer uso das imagens enquanto banners impressos – poema-cartaz – além de outras possíveis aplicações. Como registros de uma outra dimensão.

Fábio Oliveira Nunes

 

 

8#ART: arte e tecnologia em Brasília

11 maio 2009 | eventos | Comentários desativados em 8#ART: arte e tecnologia em Brasília

Transcrevendo a chamada de trabalhos para participação no 8#ART, que acontecerá entre os dias 16 e 19 de setembro de 2009 no auditório Dois Candangos da Universidade de Brasília. O #ART é um célebre evento na área, comemorando nesta edição, 20 anos do campo de arte e tecnologia na UnB.

8° Encontro Internacional de Arte e Tecnologia (#8.ART): arte, tecnologia e territórios ou a metamorfose das identidades.

Chamada de Trabalhos
 

O Programa de Pós-Graduação em Arte, e sua linha de pesquisa em Arte e Tecnologia, do departamento de Artes Visuais, do Instituto de Artes, da Universidade de Brasília, com apoio do Museu Nacional da República, iniciou a chamada de trabalhos para o 8° Encontro Internacional de Arte e Tecnologia (#8.ART): arte, tecnologia e territórios ou a metamorfose das identidades.

Informações gerais

O 8° Encontro Internacional de Arte e Tecnologia (#8.ART): arte, tecnologia e territórios ou a metamorfose das identidades comemora 20 anos de existência do campo de arte e tecnologia na Universidade de Brasília, no ano de 2009. Nesse sentido, o #8.ART propõe como objetivo desvelar a complexa relação política, social e identitária, visando evidenciar o pensamento artístico, por meio de noções emergentes que permitem compreender e aprofundar as teorias que nascem a partir de novos paradigmas estéticos vinculados à simbiose dos pensamentos sistêmico, artístico, científicos, tecnológico, estético e político. O encontro contará com parceiros internacionais apoiados pelo programa de cooperação da União Européia denominado “Europe-pays tiers: le Brésil”, cuja proposta afirma que a arte não fica indiferente à tensa relação entre o local e o global. Por um lado está sujeita aos constrangimentos políticos, sociais, econômicos de um território, por outro lado sofre a pressão da grande dimensão de informação das mídias e das tecnologias de comunicação. A criação artística encontra o seu espaço de produção nos campos das tecnologias atuais, arte como tecnologia, pensamento de Julio Plaza. Outro importante parceiro é o Leonardo Education Fórum (LEF), que estará conosco para discutir a realização entre arte, educação, ciência e tecnologia.
O pesquisador, artista, professor ou estudante interessado em inscrever seu trabalho deve indicar em qual tema ele se insere. 
 

Os temas propostos são os seguintes:
 

T 1 – Arte, tecnologia e territórios

T 2 – Educação da cultura visual

T 3 – Gamearte: interações multiusuário

T 4 – Bioart: a natureza humana

T 5 – Ativismo artístico no século 21

T 6 – Dispositivos não convencionais de interação

T 7 – Arte, educação, ciência e tecnologia

T 8 – Traços urbanos nas novas mídias locativas

T 9 – Poéticas digitais

T 10 – Instalações interativas subversivas

T11 – Cartografias colaborativas computacionais

T12 – Corpo midiático

T13 – Laboratórios de pesquisa em arte e tecnologia

T14 –  Transtextualidade e autoria no contexto da cibercultura

T15 – Mídias interativas

T16 – Mídia arte
 

Eventualmente, a Comissão Organizadora do #8.ART poderá remanejar a distribuição das propostas de um grupo temático para outro.

Datas importantes
 

Os resumos deverão ser enviados até o dia 2 de junho de 2009;
A notificação de aceite ou não será encaminhada até o dia 20 de junho para o e-mail do autor;
O texto aceito para apresentação no encontro e publicação dos anais deverá ser encaminhado até dia 10 de julho; O encontro será realizado nos dias 16, 17, 18 e 19 de setembro de 2009 no auditório Dois Candangos da Universidade de Brasília. A abertura da exposição Sedução será no dia 16 às 19h na Galeria Espaço Piloto da Universidade de Brasília.
 

Formato dos resumos e textos
 

O resumo deve conter: título (máximo 700 caracteres, fonte verdana, corpo 11, negrito, usar itálico apenas para palavras estrangeiras e em latim); nome do autor ou autores em corpo 10 justificado à margem direita; o resumo deve até 10 linhas, sem divisão de parágrafos, corpo 11, espaço simples; palavras-chave (três a cinco) do trabalho; currículo resumido do autor ou autores deverá ser em nota de rodapé, corpo 9, espaço simples, e conter: titulação máxima, instituição de vínculo, endereço eletrônico e telefone de contato.
Os resumos deverão ser enviados para o e-mail: suzetev@unb.br com cópia para fburgos@unb.br.
Os textos completos devem conter de sete a dez laudas, incluindo resumo, tabelas, gráficos, notas e as referências bibliográficas. O texto do trabalho completo deverá utilizar espaço simples, fonte verdana 11. O título, resumo, palavras-chave e notas, seguirão o mesmo padrão do resumo sendo que no currículo resumido do autor (titulação máxima, instituição de vínculo, e-mail) será dada como nota na primeira lauda. As eventuais notas serão feitas no final do texto em corpo 9, espaço simples. Os textos devem ser enviados revisados (de acordo com as normas da ABNT de trabalhos acadêmicos) para o e-mail: suzetev@unb.br com cópia para fburgos@unb.br.
 

Tempo de Apresentação
A apresentação dos trabalhos ocorrerá da seguinte forma: 20 minutos para exposição e 10 minutos debate com os coordenadores da mesa e público.
 

Observações
Não contamos com recursos para passagens e hospedagens;

 

 

 

Novo no WAB: Vendogratuitamente.com

19 julho 2008 | Web, web arte | Comentários desativados em Novo no WAB: Vendogratuitamente.com

 

  

Nestes dias, tenho realizado algumas atualizações no site Web Arte no Brasil, com novos trabalhos e correção de falhas de atualizações anteriores. Bem, entre as novidades lá presentes está o trabalho Vendogratuitamente.com de Agnus Valente, que realiza uma interessante intervenção poética na rede Internet. Segue a  rápida resenha abaixo.

AGNUS VALENTE
Vendogratuitamente.com
2006

O endereço Internet deste trabalho já traz uma curiosa relação inicialmente paradoxal: como “vender gratuitamente”? Mas, olhe só: “vendo” também pode ser o ato de “ver”, ou seja, o ato de ver gratuitamente! O autor resolve então fazer uma espécie de intervenção artística nas ferramentas de busca da rede, relacionando o seu site justamente à prática comercial em épocas de grande apelo, como o Dia das Mães e as festas de final de ano. Ao procurar por palavras como “compras”, “cartão de crédito” ou “preço”, o site artístico era indicado. Certamente é um convite para internautas que pouco imaginam o real sentido da ação. Ao acessar o link do Vendogratuitamente.com, o visitante irá encontrar trabalhos de Julio Plaza, Carmela Gross, Antoni Muntadas, Regina Silveira, Nardo Germano e do próprio Agnus Valente. São trabalhos que flertam justamente com a poesia visual, que podemos aqui ver sem pagar nada, felizmente.

Tecnologias e ações envolvidas: Shockwave Flash, Intervenção artística;
Data da visita: 17/07/2008
http://www.vendogratuitamente.com/

 

Para ver mais trabalhos e textos sobre web arte acesse: http://www.fabiofon.com/webartenobrasil .

Fabio FON.

 

 

Do prazer de folhear ao prazer de inventar

2 abril 2008 | Cronópios | Comentários desativados em Do prazer de folhear ao prazer de inventar

Partindo da proposta de escrever sobre o quarto número da revista digital Mnemozine, (disponível em http://www.cronopios.com.br/mnemozine) além de destacar toda a contribuição que esta publicação tem tido ao exercício de compreender grandes poetas (respectivamente Paulo Leminski, Pedro Xisto, Alice Ruiz e, agora, Augusto de Campos) em profundidade, sinto-me na obrigação de começar pela sui generis navegação que esta publicação proporciona em seus números. Essa impressão primeira é a de que ela consegue driblar o percurso insípido que existe entre scrolls e botões com setinhas para lá ou para cá em grande parte dos sites da rede Internet que levam grande quantidade de textos. Em uma revista de papel, não há como negar seu prazer tátil. Nas mãos, podemos conduzir o olhar sobrepondo páginas para lá ou para cá – desfolhar rapidamente observando somente as figurinhas ou conduzir uma leitura mais detalhada.

Na interface sob a direção de arte de Pipol (responsável também pelo refino gráfico do site Cronópios), temos esse caráter tátil tão difícil de ser alcançado, através das páginas que estão dispostas a serem conduzidas pelo mouse como uma metáfora do suporte papel. Pipol já conduz seu leitor neste sentido desde seu trabalho Brinquedo de Palavras (hoje disponível como Pocket Book no site Cronópios). Muito mais do que uma simples imitação, há uma interessante tradução, especialmente neste quarto número de Mnemozine, com a adição de inúmeros mecanismos que ultrapassam aquilo que uma revista de papel poderia nos proporcionar: além de algumas ferramentas, surpreendendo-nos com poemas animados, rádio e vídeos embutidos naquelas finas folhas.

Bem, ao que se diz respeito a Augusto de Campos, nada mais coerente do que configurar como âmago neste exemplar que extrapola os limites das linguagens.  Augusto é uma das vértebras da poesia concreta brasileira, junto com Décio Pignatari e seu irmão Haroldo, realizando as históricas revistas Noigandres e Invenção e desde muito jovem já realizava uma metalinguagem rica – difícil de ser alcançada por quem se desdobra no exercício do pensar e do fazer. Suas produções, como Luxo, de 1965, estão disponíveis até em livros didáticos como parte viva de um dos momentos mais inventivos, em patamar raro na poesia brasileira recente.  Além disso, posicionou-se em torno da idéia da tradução da poesia enquanto um exercício de criação, tendo traduzido Mallarmé, Dante, Cummings, Donne, Maiakóvski, Rimbaud e tantos outros. Bem como, realizou obras que tiveram fundamental importância para as artes gráficas e suas relações com a poesia no Brasil como Poemóbiles, Caixa Preta e ReDuchamp, produzidas conjuntamente com o artista e teórico Julio Plaza, que por sua vez, é referência na questão da tradução intersemiótica – fundamental para se pensar como faturas poéticas podem migrar entre meios.

Então, Mnemozine 4 – como bem anuncia seu editorial – já está promovida a ser referência para tempos futuros, como um amplo dossiê das produções e das influências deste poeta-inventor. Algo que realmente não nos deve sair da memória. Há um mérito fundamental, como bem pontua o depoimento de Frederico Barbosa (entre outros vários muito esclarecedores): é algo pouco comum entre nós, brasileiros, a reverência a aqueles que estão entre nós. E o mérito dos editores Marcelo Tápia e Edson Cruz não se limita a esta iniciativa: também é possível observar que a escolha pela concisão e o tratamento da linguagem está presente nos colaboradores de alto nível como André Vallias – dono de uma produção muitíssimo cerebral – e como Glauco Mattoso – com sua homenagem poeticonográfica.

Se a revista pudesse ter um adendo futuro – caráter mutante permitido aos artefatos do ciberespaço – creio que outros grandes momentos de sua produção como o já citado Luxo (1965), além de Viva Vaia (1972) e Poema-bomba (1987) seriam muito bem vindos, bem como os trabalhos mais recentes em que as experimentações na tecnologia são muito evidentes.  Impressionante ver a lucidez de Augusto em trabalhos realizados com os softwares de animação. Aliás, cabe aqui um depoimento pessoal: tão grande foi minha surpresa quando em 2002, organizando junto com Omar Khouri a revista digital Artéria 8, recebi o seu poema em arquivo devidamente formatado para estar on-line! Algo raro mesmo entre os participantes mais jovens. Bem, em Mnemozine, é evidente a opção dos editores em uma parcela mais reconhecida da produção de nosso poeta-inventor – o que para nós já é um deleite sem precedentes.

Fábio Oliveira Nunes

 

 

Lançamento Artéria 9

12 dezembro 2007 | Mixórdia | Comentários desativados em Lançamento Artéria 9

Mais um imperdível lançamento da Nomuque Edições (dos editores Omar Khouri e Paulo Miranda), a ser realizado neste sábado, dia 15/12/2007, das 16 às 20hs, na Casa das Rosas, em São Paulo. O nono número da Artéria conta com recorde de colaboradores e excelentes trabalhos. Entre os nomes presentes neste número estão: Aldo Fortes, André Vallias, Anna Barros, Antonio Lizárraga, Arnaldo Antunes, Augusto de Campos, Célia Mello, Daniele Gomes de Oliveira, Décio Pignatari, Diniz Gonçalves, Edgard Braga, Élson Fróes, Fábio Oliveira Nunes, Glauco Mattoso, Haroldo de Campos, Inês Raphaelian, Jorge Luiz Antônio, Julio Mendonça, Julio Plaza, Letícia Tonon, Peter de Brito, Priscilla Davanzo, Regina Silveira, Roland de Azeredo Campos, Tiago Lafer, Vanderlei Lopes (que também assina o projeto gráfico).

No evento, será realizada uma performance vocal-poética coletiva com a participação de Tadeu Jungle, Lúcio Agra, Diniz Gonçalves Jr., Lenora de Barros, Alice Ruiz, Felipe Paros, Julio Mendonça, Omar Khouri, entre outros.

A Casa das Rosas fica na Av. Paulista, 37, Paraíso, São Paulo.

 

 

Arte e tecnologia na ARS

18 março 2007 | Referências | Comentários desativados em Arte e tecnologia na ARS

Mês passado, a revista ARS, do Departamento de Artes Plásticas da ECA-USP, pré-lançou seus números 7 e 8 na rede Internet no endereço: http://www.cap.eca.usp.br/ars.htm .

Nos dois números, há artigos de diversos autores, como Vilém Flusser, Ronaldo Entler e Annateresa Fabris e diversos professores do departamento ecano. Aos que se interessam pelos meandros da arte e da poesia em novos meios, há um interessante artigo de Silvia Laurentiz, sobre as relações da poesia digital com a cibernética (denominação esta que abrange atualmente o estudo sobre sistemas inteligentes, sistemas emergentes, arte generativa, vida artificial e outras condições em que há uma relação sistêmica onde existem graus de imprevisibilidade, autonomia e/ou mutabilidade).  Entre os trabalhos analisados está o brasileiro Community of Words em co-autoria de Laurentiz com a artista Martha Gabriel. Clique aqui para ler o texto em PDF.

Se você ainda não conhece a revista ARS, vale a pena também uma visita aos números anteriores. Logo no número 1, apresentam-se dois textos indispensáveis, um de Walter Zanini, sobre a arte telemática e outro, de Julio Plaza, sobre as relações de Arte/Ciência. O segundo número traz o texto que eu acredito ser o melhor já produzido por Plaza: Arte e interatividade: Autor-obra-recepção, fundamental para entender verdadeiramente os processos em que a tão citada-aclamada-lugar-comum interatividade se encontra. No mesmo número, dando continuidade ao estudo da recepção, há um texto de Monica Tavares. No número 3, há uma versão inédita em português do texto Arte Trangênica de Eduardo Kac, além de um texto esclarecedor sobre ambientes multiusuário de Gilbertto Prado e Silvia Laurentiz. No quinto número, há um texto referenciando à exposição Cinético_Digital realizada no Itaú Cultural em 2005, sob a curadoria de Monica Tavares e Suzete Venturelli. Além disso, o mesmo número possui um texto de Christine Mello sobre a poéticas em novos meios no Brasil. Por fim, o sétimo número traz um artigo de Priscila Arantes sobre artemídia no Brasil e uma entrevista de Juliana Monachesi com Gilbertto Prado que fala sobre o trabalho interativo Acaso 30.

Fábio Oliveira Nunes