Porque não ir à 28º Bienal?

8 novembro 2008 | artes visuais, eventos | 1 Comentário
Última modificação: 21 dezembro 2008 @ 22:21

Uma coisa é muitíssimo simbólica: a melhor maneira de ir embora do terceiro andar do Pavilhão Ciccillo Matarazzo é ser evacuado por um tobogã instalado no exterior do prédio. Bom, é impossível sair da 28º Bienal Internacional de São Paulo sem levar consigo uma enorme decepção de testemunhar a pior exposição de todos os tempos.

Outro dia, o amigo e artista Ricardo Coelho, mestre em artes na UNESP, enviou a todos os seus contatos, um aviso de utilidade pública a todos aqueles que saem de suas cidades, percorrendo horas e horas de viagem só para ver a famosa exposição: não perca seu tempo! Hoje, compartilho com ele – com uma decepção enorme – a mesma opinião sobre um evento muitíssimo mal concebido e realizado. Há uma seqüência de erros – alguns de visíveis implicações financeiras, como fazer um rodízio entre os vídeos expostos no 1º andar (embora seja um evento gratuito, é complicado voltar lá a cada semana para ver este ou aquele trabalho), outros de ordem conceitual mesmo, como no caso de uma definição torpe de “telepresença” e ainda outros de realização: como uma montagem ruim. O problema não está no vazio das colunas de Niemeyer, certamente.  Mas é evidente que você – assim como eu – ainda teimará em ir para realmente comprovar o grande erro que foi este momento para a história da Bienal. Então, simplesmente esqueça os corredores repletos de visitantes, a quantidade infindável de trabalhos, a necessidade – em todas as edições que vi – de ir mais de uma vez e os trabalhos que nos farão pensar por dias seguidos. Acredite: reserve somente uma hora do seu dia e torça para algo melhor surgir daqui a dois anos.

Ainda aos mais teimosos: o trabalho A bondade de estranhos do brasileiro Maurício Ianês realmente – como a mídia tem apresentado – é um destaque dentro do pouco que temos por lá. E não é pelo fato de sua nudez ou falta de comida, mesmo porque o indivíduo já está devidamente vestido e alimentado nesta altura, mas pela proposta de presença-registro em que atua muito bem.

Fábio Oliveira Nunes

 

 

1 Comentário

  1. Claudio disse em 17 nov 2008 às 8:44 am

    Eu nem fui ainda a Bienal, mas pelo que todos estão falando ja dá pra imginar a descepição que ocorre na Bienal……42 artistas de 22 paises, como a Bienal pode estar tão vazio assim?
    Eu como estudante de artes fico muito triste por isso, podiam reunir grupos de estudantes e apixonados pela arte fazer um protesto por isso…….vamos ver o que vai acontecer na próxima Bienal daqui a dois anos.

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