Arquivos de Setembro 2008

Diários de Orwell em blog

14 Setembro 2008 | Referências, ficção científica | No Responses

 

 

Os diários de George Orwell, famoso autor do livro 1984 (1949), serão publicados em seu “tempo real”. O blog, iniciativa do Instituto Orwell Prize que marca o 70º aniversário dos diários do autor, terá os textos publicados na íntegra e será alimentado durante quatro anos, período similar ao que o autor os escreveu (de 1938 a 1942). Além de 1984 (onde apresenta um mundo controlado pela tecnologia), Orwell é também conhecido pelo célebre Revolução dos Bichos (1945).

http://orwelldiaries.wordpress.com/
 

 

Upgrade! São Paulo com Rachel Zuanon

12 Setembro 2008 | arte mídia, eventos | No Responses

A artista e pesquisadora Rachel Zuanon apresentará no dia 20/09/2008, SÁBADO, a palestra  “Afetos digitais: processos de comunicação entre sistemas biológicos e tecnológicos” no Upgrade! São Paulo (nó local dentro da rede global Upgrade! International). Zuanon é Doutora e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Bacharel em Artes Plásticas (UNESP-SP). Atualmente desenvolve o segundo protótipo de seu objeto de pesquisa: “Computador Vestível Afetivo Co-evolutivo - Objeto Relacional Biocibernético”, patrocinado pelo prêmio Rumos Arte Cibernética 2007, concedido pelo Itaú Cultural. 

Entrada: 1Kg de alimento não perecível (arrecadação em favor da Creche Padre Mariano)

local - i-People: r Vergueiro, 727, 1o andar / tel. (11) 3341-4186 - São Paulo - SP
(ao lado da estação Vergueiro do Metrô)

Dia 20 de setembro de 2008, às 10hs (welcome coffee + apresentação).

Inscrições - enviar mensagem de e-mail para secretaria@ipeople.com.br, informando nome e telefone.
Vagas Limitadas.

Mais informações em: http://www.upgradesaopaulo.com.br/ .

 

Nova Pecha Kucha em São Paulo

8 Setembro 2008 | eventos | No Responses

Pecha Kucha Night São Paulo - Versão Ficção Científica

Como parte do evento Invisibilidades, do Itaú Cultural, serão selecionados projetos relacionados ao universo da ficção científica. Qualquer pessoa ou grupo pode se inscrever. Para quem não conhece a particularidade da Pecha Kucha: trata-se de um evento onde quem apresenta tem exatos 6 minutos e 40 segundos para dar sua mensagem! A primeira versão do Pecha Kucha no Itaú Cultural aconteceu durante o simpósio do evento Emoção Art.ficial, em julho deste ano.

Para envio de projetos a data limite é dia 10/09, somente através do e-mail pknsp@cibercultura.org.br  com os seguintes dados: nome, idade, sexo, telefone, website (quando houver), profissão, nome da empresa em que trabalha (quando houver), um pequeno currículo (máximo de 3.000 caracteres), descrição do projeto (máximo 3.000 caracteres) e cinco imagens que usará na apresentação (não envie as 20 imagens na fase de seleção).

Mais informações sobre o Pecha Kucha e como enviar o seu projeto: http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2688&cd_materia=615&mes=9&ano=2008.
Em caso de dúvida - sobre envio de projetos - escreva para kuja@cibercultura.org.br.
 
A noite do Pecha Kucha, com apresentação dos projetos selecionados, é dia 21 de setembro, às 20h20. (aberto ao público).

Local: Itaú Cultural - Av. Paulista, 149, São Paulo-SP (270 lugares). Entrada franca.

 

 

 

Afinal, qual é o lugar da autoria na rede?

1 Setembro 2008 | Cronópios, Web, poesia digital | No Responses

Artigo publicado em http://www.cronopios.com.br/, dia 28/08/2008.   

 

Quando a rede Internet torna-se popular no final do século XX – oriunda da gradual abertura da estrutura descentralizada e militar da rede americana ARPANet – configura-se um espaço aberto para todos aqueles que até então estavam distantes do crivo hegemônico. Quer difundir sua produção? Coloque-a na Internet, oras. Inicialmente, a rede era propícia apenas para a divulgação de elementos textuais ou com algumas imagens fixas de baixíssima resolução. Com a expansão da banda larga aos usuários comuns, a rede tornou-se também o lugar de todas as demais linguagens contemporâneas passíveis de estarem no domínio digital, tais como, animações e vídeos com resoluções e duração cada vez maiores.

No evento Cartografia Web Literária, realizado duas semanas atrás no SESC Consolação, em São Paulo, com o apoio do site Cronópios, do qual participei em uma produtiva mesa sobre as interfaces poéticas na web, entre as questões recorrentes (e não apenas nesta mesa) está um sentimento de inquietação de uma legião de autores que nasceram sob uma espécie de limbo tecnológico – uma preocupação existencial que se esboça a cada texto disposto na rede. O fato é que esse autor se localiza em uma indeterminação de pensamentos ora contraditórios, ora conflitantes – entre a necessária divulgação e a necessidade de inserção em um mercado restrito, entre querer ser reconhecido, mas não poder publicar na rede seus melhores ou recentes textos sob o risco de ser sumariamente copiado.

A primeira resposta para o autor de conteúdos divulgados através da rede é pensar que o maior de todos os valores é a difusão. Como bem pontua o pensador americano John Perry Barlow em seu célebre e pioneiro texto – de 1994! – sobre a economia em tempos de rede, Vender vinho sem garrafas: a informação não pode ser vista pela ótica simplista da mercadoria já que a informação torna-se mais valiosa à medida que é difundida, quanto mais acesso, mais valor. Já a mercadoria, limitada sob o prisma do mercado, ganha valor quando é cada vez mais desejada, ganha valor na condição de escassez. Com a rede, os autores caíram em si sobre algo que há muito tempo, a arte conceitual já tinha encarado: a desmaterialização.

No fundo, antes da rede, nunca se vendeu simplesmente poemas: sempre se venderam livros, mercadorias fisicamente tangíveis. Mesmo na questão de direitos de autor, o que se protegia era o livro e não as idéias, os conceitos ali presentes: estes sempre foram universais e gratuitos. Mas, com a digitalização, perdemos os continentes e ficaram apenas os conteúdos: não precisamos como antes do livro, da fita, do CD ou do DVD, já estão todos trafegando como dados que vão ricocheteando pelos cafundós do planeta (mesmo que se materializem eventualmente em algum nó por aí). O que temos são dados que querem ser lidos, querem se reproduzir e como seres vivos em busca de oxigênio – contornam-se das ameaças ao seu livre trânsito e emergem. Os dados são como as idéias. Mas pouquíssimas pessoas ainda entenderam isso.

As empresas de software lidam com essa desmaterialização e ao mesmo tempo ainda mantêm estruturas arcaicas de lidar com os problemas de propriedade intelectual. E mesmo a opinião pública, ainda está muito aquém: um projeto de um senador brasileiro sobre “segurança na rede Internet” trouxe a tona a discussão sobre a possibilidade de considerar crime o uso de programas compartilhadores de redes Peer-to-Peer (P2P). Os programas P2P conectam computadores a computadores em diversas redes de compartilhamento de arquivos e podem promover uma difusão ainda mais democrática do que via WWW (interface gráfica a qual estamos acostumados via navegador web, que requer um servidor para suas páginas) – ainda que uma grande parte dos conteúdos seja discutível.

Quando se coloca a difusão como elemento-chave, aparecem outras soluções possíveis. No Cartografia Web Literária, se falou um pouco sobre Copyleft – um substituto a altura do Copyright para a fluidez que invariavelmente corre nas redes. Trata-se de uma licença que difere da idéia de domínio público: limita o uso privado e pode possibilitar modificações e distribuição. Softwares que não limitam seu código fonte podem ser melhorados por outros programadores. Nesta ótica, poemas também poderão ser melhorados por outros poetas. A rede é o espaço para situações de colaboração que vão ser justapostas a uma velha noção de autor e que, ao mesmo tempo, libertam as idéias da ditadura da mercadoria, sem qualquer crise existencial.

Fábio Oliveira Nunes