Arquivos de Julho 2007
Balalaica e ARTERIV: muito antes dos podcasts
28 Julho 2007 | Cronópios | No Responses
Artigo publicado em http://www.cronopios.com.br/, dia 22/07/2007.
Quando criança, lembro-me de uma coisa que hoje não teria o menor sentido: algumas fitas cassetes eram vendidas com uma caixinha especialmente preparada para que se pudesse gravar uma mensagem sonora e enviar pelo correio ao seu destinatário. Parecia ser algo muitíssimo inovador naquela época: poder domesticamente gravar músicas, vozes, momentos sonoros – antes da popularização de uma série de tecnologias mais recentes, as fitas cassetes nos faziam editores, produtores de conteúdos sonoros em minúscula escala.
A oralidade sempre tendeu a disseminar-se como um vírus tão poderoso quando a própria linguagem: as heranças trazidas pela oralidade se confundem hoje com o papel que o rádio possui nos nossos dias. A palavra falada e transmitida, que até o tempo das novelas de rádio nos fazia criar imagens mentais, hoje existe como narração do mundo das imagens – ouvimos rádio (seja convencional ou on-line) quando vemos ou fazemos algo com o restante dos nossos sentidos. E o sucesso de grande parte dos podcasts é justamente isso: passamos horas na frente das nossas máquinas, momentos em que não podemos simplesmente negligenciar nossa avidez sonora ao barulhinho que o cooler faz resfriando o processador que calcula cada pixel de sua tela. Somos ávidos pelo som. Sons que no caso dos podcasts, podem ser subversivos, mambembes, introspectivos, musicais, radiofônicos e quase sempre, independentes. Os podcasts – na maioria das vezes – não estão ligados a empresas de comunicação, muito menos dependem de grande estrutura para estarem disponíveis: qualquer pessoa com conhecimentos e softwares mínimos estará apta e livre para suas “transmissões”. É só fazer o arquivo em áudio e disponibilizá-lo. Aí mora o caráter independente da coisa.
Entre o final dos anos 70 e início dos anos 80, os poetas Omar Khouri, Paulo Miranda e Carlos Valero capitanearam uma série de experimentações sonoras oriundas das influências da poesia concreta com a participação de vários concretistas e outros poetas simpáticos à causa, entre eles, Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Augusto de Campos, Luiz Antônio Figueiredo, Sonia Fontanezi, Tadeu Jungle e Zéluiz Valero, além dos próprios organizadores. Experimentações evidentemente independentes, com intuito maior de serem difundidas a poucos e bons ouvintes, organizadas em duas revistas: a Balalaica e a ARTERIV (Artéria 4). Ambas foram produzidas no estúdio-residência de Carlos Valero, em São Paulo, e não possuam mais do que uma centena de cópias cada uma.
Balalaica foi produzida em 1979 e lançada em 1980. Simples, possuía dentro do invólucro da própria fita cassete, informações impressas sobre o material. Já ARTERIV produzida em 1980, teve mais requintes: a fita era acompanhada de um estojo em serigrafia e texto-editorial de Luiz Antônio Figueiredo, trazendo também um caderno em impressão reprográfica, com imagens parafraseando os sons de cada faixa, apresentando a visualidade como inspiração-produto, caminho paralelo de diversos poemas presentes. Assim como outros números de Artéria (vide o oitavo de 2003, disponível em http://www.arteria8.net), o quarto buscou um universo de múltiplas linguagens, intersemiótico. Ao mesmo tempo em que há o flerte com a rádionovela, as aulas dos audiobooks e a música de engajamento de outrora, há poemas sonoros não-verbais, ruídos aos ouvidos desatentos.
Mais de 20 anos depois, as faixas das fitas cassetes foram remasterizadas por Cid Campos e Marcelo Brissac e, depois, transformadas e organizadas em stremming (áudio para a web nos formatos Real Media e Windows Media) por Elson Fróes, poeta, pesquisador da poesia sonora e responsável pelo interessante site Pop Box (http://paginas.terra.com.br/arte/PopBox/). Em 2006, as revistas emergem na rede Internet trazendo todo material sonoro na íntegra, estando a Balalaica disponível através de http://www.nomuque.net/balalaica e ARTERIV disponível no endereço http://www.nomuque.net/arteria4 . Mais do que um acervo histórico de um momento da poesia sonora, as duas revistas são inspiradoras de novos caminhos sonoros, caminhos a serem percorridos sob a forma simples e mundialmente acessível de um podcast, claro!
Fábio Oliveira Nunes
Upgrade! São Paulo: Web 2.0 e Second Life
25 Julho 2007 | Mixórdia | No Responses
Como já é hábito, todo mês o nó brasileiro Upgrade! São Paulo promove um evento enfocando arte e tecnologia, trazendo artistas e pesquisadores para discutir a produção em novos meios. São encontros informais e descontraídos. Neste mês, há duas palestras. A primeira acontece com o designer Gil Giardelli, que irá discutir a Web 2.0 (Humanidade 2.0) e a segunda é com a artista Martha Gabriel, que irá abordar a produção artística no Second Life (Arte no Second Life).
Upgrade! São Paulo, com Gil Giardelli e Martha Gabriel
31.julho.2007, 3a feira, 19h30 - entrada gratuita
Local: i-People: r Vergueiro, 727, 1o andar (ao lado da estação Vergueiro do Metrô)
Inscrições - enviar email para secretaria@ipeople.com.br, informando nome e telefone.
Mais sobre: http://www.upgradesaopaulo.com.br .
CIANTEC - Congresso de Arte e Tecnologia
23 Julho 2007 | Referências | No Responses
Retirado da Agência FAPESP (23/07/2007)
“Caminhos da arte para o século 21” será o tema central do 1º Congresso Internacional de Arte e Novas Tecnologias, que será realizado de 13 a 17 de agosto, em São Paulo.
O evento é promovido pelo Programa de Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte da Universidade de São Paulo (USP).
O objetivo é discutir a relação entre arte e tecnologia em múltiplos contextos, desde a aplicação da tecnologia à expressão artística, passando pela sua utilização e produção.
Mais informações: www.i-colabor.net/ciantec
Confira a programação em .PDF: http://www.i-colabor.net/ciantec/programa.pdf
A enciclopédia fast-food
16 Julho 2007 | Referências | No Responses

Continuamos discutindo a Wikipédia e suas restrições, apresentando agora um percurso crítico sobre a tão conhecida enciclopédia eletrônica.
Fácil, como CTRL+C e CTRL+V
Um texto que merece leitura está presente no site da revista CartaCapital, intitulado Referência fast-food, que aborda didaticamente as falhas da “rápida, até demais” enciclopédia. Antonio Costa começa apresentando as fantásticas opiniões dos participantes da comunidade do Orkut “Eu só faço trabalho com a Wikipédia”, que exaltam as facilidades de fazer trabalhos só com o uso do CTRL+C e CTRL+V. Tão fácil e rápido, como o próprio termo originalmente havaiano Wiki se propõe ser.
Ainda sobre conteúdos e sua legitimidade, há também o artigo de Janer Cristaldo: O que a Wikipedia não conta.
Os xerifes em xeque
Alex Hubner apresenta um artigo em que observa usuários da enciclopédia que se ocupam exclusivamente em serem vigilantes de conteúdos presentes, o que seria até positivo se não fosse obsessivo. Os administradores acabam se tornando elementos com poderes especiais dentro do que deveria ser uma comunidade plana e não-hierárquica. Presente no site CFGigolô: Cuidado com os xerifes da Wikipédia. No mesmo site, é possível ter uma lista de outras diversas referências neste mesmo sentido. Mais recentemente, Hubner publicou também outro texto sobre a “xenofobia” dos wikipedistas no site Webinsider: O papel do administrador e o conteúdo na Wikipédia .
Um site que merece a visita de todos aqueles que já foram injustiçados pela política restritiva da Wikipédia é o blog Wikipolítica: http://wikipolitica.blogspot.com . Um interessante espaço de notícias sobre posturas de administradores, votações e referências na imprensa.
Freakpedia, a insignificante
Agora, é sempre de grande importância lembrar das pessoas daqueles que nos auxiliam na realização de nossos projetos. Na produção da FREAKPEDIA – projeto de web arte co-realizado com Edgar Franco – as seguintes pessoas merecem os nossos agradecimentos especiais: Soraya Braz, Andrei Thomaz, Diniz Júnior, Vivian Puxian, Gazy Andraus e a todos que ajudaram a aprimorar a versão ALFA da nossa insignificante enciclopédia. Agradeço também a todos os amigos que estão nos apoiando neste projeto, divulgando e inserindo novos verbetes.
E sempre é bom lembrar também: a FREAKPEDIA – em versão BETA – continua aguardando as suas contribuições: http://www.freakpedia.org/ . Acesse já!
Fábio Oliveira Nunes
Freakpedia: insignificante e livre
5 Julho 2007 | Eu! | 2 Responses

Depois de inúmeros testes desde a apresentação da FREAKPEDIA em sua versão ALFA no 6º Encontro de Arte e Tecnologia, em Brasília, em maio de 2007, nesta semana é lançada a primeira versão BETA da nossa insignificante e livre enciclopédia, uma criação de Edgar Franco e Fábio Oliveira Nunes.
A FREAKPEDIA nasce após algumas situações ocorridas no interior da famosa e cultuada enciclopédia eletrônica Wikipédia: alguns editores com privilégios de administradores (com superpoderes para apagar verbetes) resolveram fazer uma “caça às bruxas” a tudo aquilo que eles acreditam não ter “relevância” suficiente para permanecer no interior de sua magnífica publicação. Para tanto, muitas biografias, verbetes sobre inúmeros assuntos, entre outras coisas mais vêm sendo sumariamente excluídos – já que embora haja votação para exclusão, somente alguns usuários podem participar desta.
Então, se a Wikipédia é o lugar para tudo que é “relevante”, vamos criar o nosso espaço de coisas insignificantes: a FREAKPEDIA. Onde tudo que nela está presente é insignificante e sem nenhuma importância enciclopédica.
Qualquer internauta pode e está convidado a participar com novos verbetes ou editando verbetes já existentes. Seja FREAK e participe agora mesmo:
Para saber mais sobre o projeto, leia o artigo apresentado no 6º Encontro de Arte e Tencologia: Freakpedia: A ironia da liberdade (em .PDF).
Artlectos 2, de Edgar Franco
5 Julho 2007 | Referências | No Responses

Acaba de ser lançado pela editora SM o segundo número de “Artlectos & Pós-humanos“, a revista continua viva, com sua proposta iconoclasta: apresentar quadrinhos no estilo fantasia filosófica dedicados a explorar o universo ficcional da “Aurora Pós-humana”, criado por Edgar Franco para servir como estrutura de criação para obras em múltiplas mídias. O mesmo universo já rendeu obras como o premiado álbum “BioCyberDrama“, feito em parceria com Mozart Couto, e o novo trabalho da banda de música Sci-Fi Industrial de Franco, o “Posthuman Tantra“, o CD intitulado “NeoCortex Plug-in” foi lançado com exclusividade pela gravadora Suiça “Legatus Records”. A “Aurora Pós-humana” apresenta-nos um mundo hipertecnológico em múltiplas fases no futuro da Terra, onde seres híbridos humanimais convivem com intelectos artificiais e pós-humanóides com a consciência e memória humana transplantada em seus chips de silício.
Neste segundo número “Artlectos e Pós-humanos” apresenta-nos 5 novas histórias: “Parto” - fala de futuros eletro-domésticos e de suas conseqüências; “Pesadelo Pós-humano” - trata de delírios saudosistas do futuro; “Fuzono” - questiona os limites de nossa atual condição humana; “Estranhas Entranhas” - vislumbra os meandros de certos paradoxos entre desejo & natureza. Finalmente, “brinGuedoTeCA” (assim mesmo com G pra lembrar das bases do DNA - G,C,T,A) - simula um playground pós-humano e possui inclusive uma versão em HQtrônica publicada na revista-objeto-CD-ROM “Nóisgrande”.


Artlectos e Pós-humanos - Nº 2 - Junho de 2007 - 32 Páginas - R$ 3,00 (15 X 21 cm - capa colorida/ miolo off-set). SM Editora. Correspondência para a caixa postal 95 - Jaú / SP - CEP: 17201-970 - E-mail: smeditora@yahoo.com.br . Para contatos com o autor: oidicius@hotmail.com .