Texto de Fabio FON e Soraya Braz sobre os trabalhos Captas e Immobile Art (criado por Edgar Franco) publicado no lançamento do site MUSA RARA, em janeiro de 2012.
Falar ao telefone celular é, sem dúvida, uma prática indissociável de nossa vida moderna. Difícil encontrar alguém que não faça uso da tecnologia móvel e quando encontramos, nos surpreendemos. Certa vez, um amigo artista nos relatou a dificuldade de fazer com que outras pessoas acreditassem que ele não possuía um aparelho celular. Em sua profissão, o número de seu telefone celular sempre foi bastante solicitado. Seja ao marcar reuniões ou mesmo quando alguém iria aguardá-lo no aeroporto em sua chegada a outra cidade, ao ser perguntado sempre dizia que não possuía. Embora fosse a mais pura verdade, sempre ficava no ar aquela sensação de desconfiança de seu interlocutor – o olhar incrédulo acusando: “como você não tem celular?”.
Há uma obrigatoriedade social do uso destes dispositivos – a praticidade de encontrar alguém em qualquer lugar, tornou-o item fundamental de nossas vidas e das relações que estabelecemos com o outro. Diante deste contexto, desenvolvemos um trabalho poético em arte e tecnologia denominado Captas. Captas é uma intervenção artística móvel-urbana, produzida entre 2009 e 2010, em que chamativas capas amarelas começam a tagarelar ruidosamente quando percebem o uso de telefones celulares, em trânsito pela cidade. Essa ação faz uso de performers e capas plásticas constituídas de um sistema eletrônico capaz de disparar conversas pré-gravadas quando percebem o uso de algum telefone celular, através da emissão de radiação eletromagnética. Nosso objetivo, neste projeto, é discutir implicações sociais da telefonia móvel no espaço urbano. Sob este aspecto, o espaço urbano é entendido como um espaço compartilhado, de convivência em “alta velocidade”, gerido, muitas vezes, por regras tácitas de relacionamentos interpessoais.
No dia 17 de dezembro, sábado, estarei na Mesa Redonda Arte na Rede | Web Art no SESC Belenzinho, em São Paulo, às 14h. O evento é gratuito.
CAFÉ TECNOLÓGICO: ARTE NA REDE | WEB ART Com o advento tecnológico novos paradigmas surgiram no universo das artes. Como por exemplo, a conexão entre artistas ou mesmo galerias que poderia acontecer numa esfera “desmaterializada” nas redes telemáticas. Neste encontro, a discussão trata sobre as relações entre obra e público, as poéticas possíveis em que o uso de tecnologias digitais e a atuação na rede web propiciam, assim como, o mercado da arte neste contexto e as possibilidades de uma mostra de arte “desmaterializada”, com curadores espalhados pelo mundo. Com Lucas Bambozzi e Fabio Fon. Duração: 01 encontro. Acima de 16 anos. 30 vagas. Internet Livre. Inscrições no local com 30 minutos de antecedência.
SESC BELENZINHO
Rua Padre Adelino, 1.000
Belenzinho
São Paulo - SP
O site de web arte Freakpedia de Fabio FON e Edgar Franco estará participando nos dias 3 a 6 de novembro de 2011 da Exposição Internacional SOFT BORDERS, organizada por Upgrade! International Network. A exposição de arte e tecnologia conta com trabalhos nacionais curados por Silvia Laurentiz e trabalhos internacionais curados por Basak Senova e Elena Veljanovska. Ao total, são 18 trabalhos participantes. O evento acontece na Galeria do Instituto de Artes da UNESP, em São Paulo. Para maiores informações, acesse: http://www.softborders.art.br/festival .
Omar Khouri, um dos poetas-artistas-pesquisadores que conheço e admiro acaba de lançar um livro eletrônico chamado O LIVRO DAS MIL-E-UMA COISAS. Na publicação, Khouri apresenta diversos textos realizados no período de 2000 a 2008, formando um universo vasto de assuntos que trafegam entre a semiótica, as artes, a poesia, a gastronomia e as boas maneiras. Ao mesmo tempo em que se apóia em introduzir questões das artes e da literatura, não deixa de petiscar por assuntos da mais alta profundidade. É leitura mais que recomendável.
Baixe o seu exemplar em: http://www.nomuque.net/mileumacoisas .
Estão abertas até o dia 10 de outubro as inscrições para as apresentações de performances do 1º Itajaí Arte e Mídia – Festival de Performances Multimídia. O evento acontecerá entre os dias 12 e 20 de novembro em Itajaí.
Na primeira edição do evento, que tem como tema “Performances Multimídia”, serão selecionados trabalhos performáticos presenciais que utilizem os seguintes recursos: interação digital, música eletrônica, sonorização digital, projeção digital, comunidades virtuais, uso de celular, arte via web, game art, art-hacker, telepresença, realidade virtual , videoarte, e qualquer outro tipo de manifestação estética em novas mídias.
A proposta do 1º Itajaí Arte e Mídia é fomentar a produção em arte com novas tecnologias, contribuir para o acesso a estas produções, assim como contribuir com a formação e discussão sobre processos artísticos que utilizam novas tecnologias em toda a sua multiplicidade.
Na programação do Festival ainda estão presentes dois workshops que abordam temas pertinentes à temática do festival: “Tecnologias digitais de interação musical”, com Eufrásio Prates (DF) e “Performer e projeção – introdução ao Isadora”, com o Coletivo Terceira Margem (SC).
O Itajaí Arte e Mídia é um festival independente, produzido pelo Coletivo Terceira Margem e Lima Produções Culturais, que foi contemplado com o “Edital do Programa de Apoio a Eventos Culturais Comunitários”, da Fundação Cultural de Itajaí e recebe o apoio do Sesc. Toda programação é aberta ao público e gratuita.
13 anos após Eduardo Kac apresentar o projeto “GFP K-9″, cientistas anunciam a criação de cachorro fluorescente
Matéria publicada no site Tecnoarte News, traz notícia de experimento com cachorro flourescente, o que lembra diretamente o famoso projeto GFP K-9 do artista brasileiro Eduardo Kac. Leia a matéria completa.
O portal Cronópios – http://www.cronopios.com.br – tem se dedicado a produzir diversas entrevistas de autores do mundo da literatura e das artes. Uma das personalidades destes encontros foi o Prof. Dr. Jorge Luiz Antonio, profundo conhecedor da produção em poesia digital.
Entrevista ao editor do portal Cronópios, Pipol, onde conversamos sobre diferentes temas como a produção em arte e tecnologia, o futuro da Internet, trabalhos presentes do FILE 2011, cultura hacker, entre outros vários pontos.
Despertando o interesse dos passantes noturnos da Avenida Paulista, em São Paulo, Via Invisível, de Fabio FON e Soraya Braz, esteve em nove saídas de estações de metrô da Linha 2 - Verde. Em cada saída, um painel luminoso sensível à radiação dos telefones celulares e da própria avenida. Segue abaixo, o vídeo via Youtube. Via Invisível foi apresentado no FILE - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica - Paulista Avenida Interativa 2011.
Publicado no site Cronópios, em 20/07/2011.
Por Fábio Oliveira Nunes
O “conteúdo” de um meio é como a “bola” de carne que o assaltante leva consigo para distrair o cão de guarda da mente. O efeito de um meio se torna mais forte e intenso justamente porque o seu “conteúdo” é outro meio. O conteúdo de um filme é um romance, uma peça de teatro ou uma ópera. O efeito da forma fílmica não está relacionado ao conteúdo de seu programa. O “conteúdo” da escrita ou da imprensa é a fala, mas o leitor permanece quase que inteiramente inconsciente, seja em relação à palavra impressa, seja em relação à palavra falada.
Marshal McLuhan
Os meios de comunicação como extensões do homem, 1971
McLuhan, o famoso criador do termo “o meio é a mensagem”, defendia que o conteúdo é essencialmente um meio encapsulado em outro meio. O meio é a essência. Mas seria possível pensarmos em produções “sem conteúdos”? Apesar da posição controversa podemos pensar positivamente. Na rede, encontramos vários percursos de criação que vislumbram ações “sem conteúdo”, ou seja, que focam no próprio meio em si. É evidente que esta postura subverte o lugar comum da funcionalidade dos meios – um meio com “conteúdo” é um meio funcionalmente aceito. Uma situação “sem conteúdo” é vista com estranheza e desconfiança aos olhos de leitores ingênuos.
Conta-se que o site de web arte JODI (www.jodi.org), criado em 1994 por Joan Heemskerk e Dirk Paes Mans, certa vez foi indicado para o diretório de sites do Yahoo!. Naquele período, os diretórios eram repositórios de sites acessados e selecionados por uma equipe de profissionais, sendo organizados por temas e assuntos variados, tal como as seções de uma biblioteca. Nos primórdios da Internet, os diretórios tinham a mesma importância que os sites de busca – como o Google – possuem hoje: o ponto de partida para se encontrar algo. Mas, JODI, por sua vez, era um tanto radical em sua proposta: possuía telas simulam erros, defeitos e vírus de computadores e situações onde o ruído de informação era levado a pontos extremos. Em outros momentos, situações de pane – da máquina e do próprio usuário – tornando sempre evidenciada a indubitável linguagem da máquina.
JODI, então, submetido ao julgamento de Yahoo! não foi aceito no diretório, sob o argumento de que “não possuía conteúdo”. O site não se enquadrou dentro da lógica objetiva que prevalece na rede até hoje. A proposta de JODI, por sua vez, é um exemplo clássico de discussão centrada na linguagem do próprio meio, que caracteriza os sites que enveredam pela metalinguagem na web arte. O uso da iconografia relacionada com o ciberespaço, metáforas de funções e ações na Internet e referências a símbolos comuns do meio informático são típicas características destes sites. O uso de elementos tão específicos de quem tem acesso ao ciberespaço, pode resultar em trabalhos herméticos para a maioria dos espectadores, muito distante da objetividade de conteúdos esperada a cada site que se acessa.