Para concorrer com a colaborativa Wikipédia, o Google lançou sua enciclopédia on-line Knol, com artigos assinados: http://knol.google.com/
Já para assuntos irrelevantes, nada melhor do que a FREAKPEDIA: http://www.freakpedia.org/ . Passe por lá e colabore com artigos sem qualquer relevância. A FREAKPEDIA está participando do FILE (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica), no Centro Cultural FIESP, em São Paulo, até o dia 31 de agosto.
Não é exatamente um texto novo, afinal, foi produzido em 2005, por ocasião da exposição Cinético_Digital, realizada no Itaú Cultural, em São Paulo. É um artigo que trata da aparição de trabalhos que lidam com a web arte de outros modos além de sites. Agora disponível no site Web Arte no Brasil:
Dentro evento Cartografia Web Literária, no SESC Consolação, nesta quinta-feira, dia 14/08, às 19h:
Mesa: INTERFACES DA LITERATURA NA WEB
O encontro reúne criadores e especialistas nas ferramentas e recursos agregados aos conteúdos de Literatura na Internet. Participam André Vallias (www.erratica.com.br), Pipol (www.cronopios.com.br), Mardônio França (www.corsario.art.br), Fábio Oliveira Nunes (www.arteria8.net). Mediação de Lúcio Agra (www.myspace.com/lucioagra). Apresentação de André Vallias com seus vídeo-poemas intermeado com suas traduções de obras de Hölderlin, Khlèbnikov, Gottfried Benn, Mandelstam, Trakl, entre outros.
Local: SESC Consolação – Espaço do Terceiro Andar Rua Dr. Vila Nova, 245 - São Paulo - SP
Gratuito.
Terei o prazer de participar neste ano do evento Cartografia Literária do SESC, nesta edição sob a insígnia “web”, com a discussão das manifestações literárias da rede Internet. Segue programação abaixo.
CARTOGRAFIA WEB LITERÁRIA
O projeto Cartografia Literária reuniu, em 2007, nove coletivos de literatura no SESC Consolação. Os encontros foram pautados pelo reconhecimento e exposição de grupos de literatura na cidade de São Paulo, por meio de encontros, entrevistas e saraus. Na esteira das produções literárias capazes de prescindir do mercado editorial ou de criar alternativas a ele, caminhamos em direção à literatura que circula na internet. Para discutir os rumos da literatura com o advento da WEB, em época de novas criações digitais e do faça-você-mesmo, o SESC propõe o evento Cartografia WEB Literária.
Dia 12/08 – Terça, às 19h. As zonas de exclusão do mercado literário e o papel da internet
Escritores e intelectuais de várias regiões do país discutem sobre o papel da Internet na divulgação da Literatura, abordando o mercado editorial brasileiro e as dificuldades para a inserção de autores que não transitam pelo eixo sul. Leituras de textos inéditos e performance literária com Lúcio Agra. Convidados: Heloísa Buarque de Holanda (RJ), Carlos Emílio Lima (CE), Vicente Franz Cecim (PA), Raimundo Carrero (PE), Fabrício Carpinejar (RS). Mediação: Edson Cruz (site Cronópios).
Dia 13/08 – Quarta, às 19h. Publicação e distribuição da Literatura em tempos digitais
A segunda noite do evento recebe escritores e editores que começaram, ou firmaram sua escrita no meio literário, em blogs, sites ou coletivos de Literatura. Participam: Clarah Averbuck (adioslounge.blogspot.com), Ana Paula Maia (www.killing-travis.blogspot.com), Cardoso (qualquer.org/salsbury), Artur Rogério (www.nospos.blogspot.com), Lima Trindade (www.verbo21.com.br). Mediação de Fabrício Carpinejar. Discotecagem com Dj Malásia e leituras de textos com autores convidados.
Dia 14/08 – Quinta, às 19h. Interfaces da Literatura na WEB
O encontro reúne criadores e especialistas nas ferramentas e recursos agregados aos conteúdos de Literatura na Internet. Participam André Vallias (www.erratica.com.br), Pipol (www.cronopios.com.br), Mardônio França (www.corsario.art.br), Fábio Oliveira Nunes (www.arteria8.net). Mediação de Lúcio Agra (www.myspace.com/lucioagra). Apresentação de André Vallias com seus vídeo-poemas intermeado com suas traduções de obras de Hölderlin, Khlèbnikov, Gottfried Benn, Mandelstam, Trakl, entre outros.
Dia 15/08 – Sexta, às 19h. Apreciação e crítica dos conteúdos de Literatura veiculados na Internet
Participação de acadêmicos e editores-poetas de publicações eletrônicas que circularam e ganharam respeito nas universidades, além de estudantes, professores e escritores. Participam Ivan Marques, Paulo Franchetti, Marcio-André (www.confrariadovento.com), Linaldo Guedes (linaldoguedes.blog.uol.com.br), Floriano Martins (www.revistaagulha.nom.br). Marcio-André apresenta uma roldana de palavras — poesia-máquina de desautomatizar, munido de vozes, violino e outros objetos sonoros. Através do acionamento ritual do verso, o poeta garante gritos, projeções, dissonâncias, interferências eletrônicas, texturas, poéticas e realidades experimentais.
Local: SESC Consolação – Espaço do Terceiro Andar
Rua Dr. Vila Nova, 245 - São Paulo - SP
Gratuito.O site Cronópios promete transmitir o evento em tempo real através da TV Cronópios. Durante as apresentações, haverá um CHAT no qual será possível enviar questões para os debatedores.
Dois trabalhos de minha co-autoria, Roaming, com Soraya Braz e Freakpedia, com Edgar Franco, estão presentes neste FILE 2008 – Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, que abrirá ao público nesta terça-feira, dia 05 de agosto, no Centro Cultural FIESP, em São Paulo. Roaming será apresentado na galeria do evento. O evento é considerado o maior do gênero no Brasil, já estando em sua nona edição em São Paulo. No dia 06, haverá uma apresentação sobre o trabalho Roaming, dentro da programação do FILE Symposium. A exposição fica até 31 de agosto.
Aproveite a oportunidade para conhecer e participar da Freakpedia - A verdadeira enciclopédia livre, através do endereço: http://www.freakpedia.org/ . O site está aberto para verbetes sem qualquer importância, discutindo ironicamente o paradigma de “enciclopédico” aclamado pela conhecida Wikipédia - motivação subjetiva criada para justificar a retirada de conteúdos lá presentes a qualquer tempo. Para participar da nossa “Freak”, basta criar um nome de usuário e senha. Se você quiser saber mais sobre a Freakpedia e a crítica sobre a Wikipédia, acesse o artigo: Freakpedia e a ironia da liberdade (em PDF).
Em uma das cenas mais célebres do cinema, os anjos de Wim Wenders recebem um turbilhão de pensamentos oriundo das mais distintas leituras em uma biblioteca. No filme Asas do Desejo (Alemanha/França, 1987), impressiona esse emaranhado de vozes que colabora para uma composição efêmera daquilo que se passa nas mais diferentes mentes naquele instante – o ato de contemplar não a informação simplesmente, mas o seu fluxo.
Mudando de ares e linguagens, temos Rui Torres, poeta e pesquisador português de poesia experimental na Universidade Fernando Pessoa, no Porto, que produziu o trabalho chamado de Poesia Encontrada, juntamente com a colaboração de Jared Tarbel e Nuno F. Ferreira. A produção é inspirada em poema homônimo do escritor lusitano António Aragão, sendo apresentada como uma releitura. Mas consegue ir além, quando insere o tempo real em sua práxis. A poesia de Torres não está determinada de antemão: ela é um texto mutante que se alimenta das palavras presentes em sites noticiosos da própria rede Internet no instante em que é visitada. Utilizando-se do recurso RSS (sigla do pouco esclarecedor termo Really Simple Syndication) presente nestes sites, a cada novo acesso, o texto se refaz sob o signo do momento. É interessante pensar que essa tecnologia RSS foi pensada justamente para a manutenção de uma organização dentro do fluxo contínuo de informações na rede, quando o indivíduo opta por determinadas fontes e os sites escolhidos automaticamente enviam informação conforme ela nasce.
Torres, por sua vez, utiliza essa ferramenta para criar um espaço em que a informação perde o seu sentido objetivo e o RSS – anunciado pelos tecnoentusiastas como uma bússola no meio de tanta bagunça informacional – é justamente um agente do excesso e do exagero, ao mesmo tempo em que dá luz ao que inúmeras mentes estão digerindo naquele mesmo instante. Temos o tráfego informacional instaurado naquele momento: casual e momentâneo. Possibilita que nós tomemos o lugar dos seres sombrios de Wenders e passaremos, então, a tomar o lugar de fascínio da onisciência. O poeta constrói uma escritura do presente e torna possível realizar a contemplação de um presente imediato que conforme se fixa na tela deixa de ser o tempo real no mais rápido piscar de olhos.
Mais um site incluído recentemente no Web Arte no Brasil: YouTAG. Este trabalho de Lucas Bambozzi faz parte da exposição Emoção Art.Ficial 4.0, exibida no Itaú Cultural, em São Paulo.
Lucas Bambozzi
youTAG 2008
O artista propõe um sistema indexador de vídeo em que a autoria está resumida a “tags” – as palavras-chaves que determinam valores dos conteúdos presentes na rede. O sistema realiza uma interessante apropriação de conteúdos já existentes na rede – nos vários repositórios como YouTube (de onde o título emerge) – enviando aos visitantes um “remix” de diversas partes. Há uma discussão interessante que pode envolver a autoria, a prática de apropriação dos VJs e a transformação da vida digital em um amontoado de “tags” que mesmo reunidos correm o risco de não ter qualquer sentido. Para participar, é necessário inserir uma conta de e-mail válida.
Tecnologias envolvidas: Programação em PHP, vídeos
Data da visita: 16/07/2008 http://www.youtag.org/
Nestes dias, tenho realizado algumas atualizações no site Web Arte no Brasil, com novos trabalhos e correção de falhas de atualizações anteriores. Bem, entre as novidades lá presentes está o trabalho Vendogratuitamente.com de Agnus Valente, que realiza uma interessante intervenção poética na rede Internet. Segue a rápida resenha abaixo.
AGNUS VALENTE Vendogratuitamente.com 2006
O endereço Internet deste trabalho já traz uma curiosa relação inicialmente paradoxal: como “vender gratuitamente”? Mas, olhe só: “vendo” também pode ser o ato de “ver”, ou seja, o ato de ver gratuitamente! O autor resolve então fazer uma espécie de intervenção artística nas ferramentas de busca da rede, relacionando o seu site justamente à prática comercial em épocas de grande apelo, como o Dia das Mães e as festas de final de ano. Ao procurar por palavras como “compras”, “cartão de crédito” ou “preço”, o site artístico era indicado. Certamente é um convite para internautas que pouco imaginam o real sentido da ação. Ao acessar o link do Vendogratuitamente.com, o visitante irá encontrar trabalhos de Julio Plaza, Carmela Gross, Antoni Muntadas, Regina Silveira, Nardo Germano e do próprio Agnus Valente. São trabalhos que flertam justamente com a poesia visual, que podemos aqui ver sem pagar nada, felizmente.
Trechos de entrevista concedida ao graduando em jornalismo Gilberto Caetano, da Faculdade Maurício de Nassau, Recife, em abril de 2008.A discussão entre “a arte e o lucro” na rede é interessante já que há aqueles que defendem uma “morte da web arte” justamente pelo caráter comercial que a Internet adquiriu nos últimos anos.
Gilberto Caetano: Em sua opinião qual a internet que deveríamos fazer? Arte ou lucro?
Fábio Oliveira Nunes: Em primeiro lugar, é bom que se diga que é natural que a rede seja utilizada com fins comerciais – seja na divulgação de produtos ou no chamado comércio eletrônico – mesmo porque essas práticas podem ser saudáveis. Não há problema no lucro gerado pela rede, mas sim, em práticas que objetivam o lucro e que desconsideram as premissas básicas individuais, como a privacidade e o direito de escolha, ou premissas universais como a ética e a transparência de relações. Esse lucro que se sobrepõe aos indivíduos – criando uma chamada Sociedade de Consumo (conforme o sociológico Zigmunt Bauman), onde cada um é avaliado conforme seu poder de compra – é o que deve ser realmente questionado pelos artistas, em especial, por aqueles que fazem uso dos novos meios.
G.C.: Como você definiria esses dois métodos usados na rede?
FON: Esses dois “métodos” propostos por você, de um lado, a arte e de outro, o lucro, podem ser complementares: é bom que se observe que há artistas que irão exatamente fazer uso comercial da rede, através da comercialização de seus artefatos artísticos através de sites. Não há qualquer problema nisso, muito pelo contrário: pintores, escultores, músicos ou artistas gráficos, podem vender trabalhos ou apenas divulgá-los sem o intermédio de uma galeria, instituição de arte ou gravadora. Podem receber diretamente pela sua produção e podem ser reconhecidos sem obrigatoriamente passar pelo crivo de instituições. Isso é um fator muito positivo para artistas e apreciadores das artes.
Por outro lado, podem sim ser antagônicos: uma boa parcela de trabalhos de web arte irão justamente discutir a utilização comercial da rede, em trabalhos como Mejor Vida Corporation (http://www.irational.org/mvc/), da artista mexicana Minerva Cuevas, que vende produtos e serviços como carteiras de estudante falsas, códigos de barras para pagar alimentos mais baratos nos supermercados e cartas de recomendação para quem precisar. Há também o trabalho FuckU-FuckMe (atualmente off-line), de Alexei Shulgin, que subverte a idéia de comércio eletrônico, vendendo hipotéticos itens para relações íntimas na rede.
G.C.: Olhando pelo lado da arte: você como um artista, ficaria satisfeito com apenas 200 visitas que realmente contribuíssem com seu desenvolvimento como artista, ou preferiria que seu conteúdo fosse massificado, só para gerar lucro independente de quem visita?
FON: Ótima questão! Evidentemente o artista que realmente produza trabalhos experimentais, inovadores, que discutam a linguagem, não poderá esperar a massificação. Muito mais vale 200 bons leitores de arte do que 2 milhões de acessos de pessoas que pouco se interessem pelas questões: esse dilema quantidade/qualidade é fundamental para se pensar na relação da arte e o lucro. Um dos meus trabalhos mais recentes, a Freakpedia (www.freakpedia.org), produzida com o artista Edgar Franco, justamente discute essas questões: nós não estamos preocupados com a relevância de termos milhares e milhares de acessos. Alguns só, já bastam.
Marcel Duchamp possui um papel fundamental para a noção da arte enquanto pensamento – e não apenas como ação “retiniana” como o próprio artista gostava de mencionar. Para Duchamp, a ação da arte não estaria apenas no olho e sim na mente, no conceito, na idéia fundamentalmente. Então, nada mais conceitual do que os seus Ready-mades – objetos que seriam apenas escolhidos (distantes aí de um “gosto pessoal”) e expostos com nenhuma (ou mínima) interferência do gesto. Não que Duchamp fosse algum avesso ao ato de pintar – muito pelo contrário: basta lembrar de Nu descendo a escada, célebre na representação do movimento. Se pararmos para observar os conceitualismos contemporâneos, desde a arte conceitual (a histórica) até as práticas artísticas ligadas aos novos meios que ainda privilegiam a idéia e o processo, que discutem original e reprodutibilidade ou que estabelecem poéticas de referências diretas à própria história da arte, a conclusão é inevitável: Duchamp é sem dúvida, o artista mais importante do século XX.
No Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), de 15 de julho a 21 de setembro será possível ver a exposição “Marcel Duchamp: uma Obra que não é uma obra ‘de Arte’”, que está sendo considerada a maior já realizada do artista, em São Paulo.